das 77 acusações absolvidas por amostras de dna, 65 resultaram de erros das testemunhas
estudo: ronald cotton
em julho de 1984 jennifer thompson, da carolina do norte, foi ameaçada com uma faca e violada no seu apartamento por um assaltante desconhecido. convicta que iria sobreviver ao ataque e iria certificar-se que o violador iria parar à prisão, ele estudou as suas características: a linha do cabelo, voz, maneirismos, peso e altura.
ela ajudou a polícia composição de um retrato robot depois do ataque. uns dias depois ela seleccionou a fotografia de ronald cotton de uma matriz de sete ou oito fotos( na esquadra da policia). a polícia confirmou a sua escolha dizendo "nós pensamos que este é capaz de ser o culpado'.
depois ela identificou ronald cotton numa linha de identificação. a sua identificação menos que certa, porque primeiro hesitou entre ele e outro indivíduo. mas depois de identificar o senhor cotton a polícia assegurou-lhe com a frase 'esse é o que escolheu na foto'.
com o tempo a confiança de jennifer aumentou. de facto, no decorrer do tribunal e anos mais tarde, ela disse que sempre que revivia o noite da violação, ela via a imagem de ronald cotton na sua mente.
o senhor cotton foi sentenciado a prisão perpétua.
quase onze anos depois, quando as provas de dna, ilibaram o senhor cotton e provaram a culpa de um homem com o nome de bobby poole, jennifer thompson ainda via a cara de ronald cotton e não a de bobby poole, sempre que pensava na violação.
ela tinha dificuldade em apagar a imagem de ronald cotton das suas memórias dessa noite traumática, apesar das provas cientificas conclusivas que identificavam bobby poole como violador.
o júri deu peso considerável aos relatos de jennifer thompson como testemunha. ela era uma determinada mulher de 22 anos, estudante universitária com uma média de 4 valores.
o seu testemunho foi tido como credível, porque ela estudara as características do atacante durante vários minutos. ela tinha a certeza absoluta que tinha identificado correctamente o violador.
a experiência de jennifer thompson foi duplicada várias vezes por incríveis pesquisas no campo da identificação. a certeza de ms. thompson que via a imagem de ronald cotton sempre que se lembrava da violação é conhecida pelos psicólogos 'transferência inconsciente'. isto é a identificação enganosa de uma pessoa que foi vista numa situação com uma pessoa que foi vista noutra diferente. através da pesquisa das fotos, a linha e o tribunal, a mente da ms. thompson incorporou ronald cotton nas suas memórias da violação.
o facto de a ms. thompson estar no tribunal confiante com a identificação do senhor cotton não era de maneira nenhuma indicativo da sua credibilidade como testemunha.
a polícia disse-lhe que tinha escolhido uma foto dos seus suspeitos e que a sua identificação tinha sido confirmada pela polícia depois da linha.
pesquisas demonstram que a confiança das testemunhas nas suas memórias aumenta com o tempo, mesmo quando as memórias estão totalmente erradas.
1 - a presença de uma pistola, faca ou outra arma reduz a veracidade dos testemunhos. durante um crime, é mais provável que as testemunhas se concentrem numa arma do que nas características do agressor.
2 - a memória não é guardada como numa cassete. ela pode ser alterada com o tempo sem que as pessoas se apercebam da transformação.
3 - o stress pode guardar memórias incorrectas na altura do crime. em crimes encenados por pesquisadores, as testemunhas muitas vezes confundem as características, palavras e acções do agressor.
4 - quando seleccionando uma fotografia numa esquadra da polícia, as testemunhas muitas vezes assumem que a polícia já encontrou o criminoso e que a sua fotografia se encontra naquele grupo.
5 - existe, na memória, um decréscimo significativo das características de um assaltante, 24 horas depois de um crime. clica aqui para saberes mais sobre jennifer thompson e ronald cotton.
clica aqui para saberes mais sobre gary well, doutorado, professor na universidade de iowa e especialista em identificações.
